OURIVESARIA
PORTUGUESA
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Imponente terrina atribuível a finais do séc. XVII ou inicio do séc.
XVIII, um dos raros exemplares das "Olhas" que antecederam
as "terrinas" tais como hoje as conhecemos. Uma das mais
curiosas e raras peças de ourivesaria civil que se pode apreciar
na Casa Museu dos Condes de Castro Guimarães.

Dimensões: 34,7 x 13,3 gr. Peso: 2.653 gr
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Clicando na imagem da "ficha de inscrição" podem fazer o download da mesma em formato Word, o que
possibilita o preenchimento da mesma no computador, o que não acontece no "PDF" original.
Gomil e Bacia de prata repuxada e cinzelada, em que só o
Gomil apresenta marca do ourives de Salvador da Bahia
Lourenço Ribeiro da Rocha.  
Lourenšo Ribeiro da Rocha
A Prataria Brasileira, parente "pobre" da Ourivesaria Portuguesa
Um dos factos mais incompreensíveis no colecionismo da ourivesaria portuguesa é o eterno e
sistemático desprezo dado à prataria feita no Brasil. Se qualquer caco em prata com vislumbres de ter
sido executado na Índia, é imediatamente apresentado como raro exemplar da ourivesaria de Goa,
mesmo que os fundamentos para tal atribuição brotem unicamente da imaginação/delírio dos fieis
devotos do “indo-português”, no que respeita à ourivesaria de prata feita no outro lado do Atlântico passa-
se quase o oposto – “é uma bonita peça, bem executada, pena é ser brasileira…”! Pelos vistos não era
assim que pensavam os Condes de Castro Guimarães, pois os dois melhores conjuntos de “Gomil e
lavanda” da sua coleção são respetivamente de Salvador da Bahia e do Rio de Janeiro. O conjunto de
que apresentamos fotografia foi executado por Lourenço Ribeiro da Rocha, que desde 1718 era
ensaiador da Casa da Moeda da Bahia. Em 12 de janeiro de 1725 o mesmo redige e assina termo de
posse perante o Senado da Câmara de Salvador, primeiro como Ensaiador e, logo de seguida, como
Ourives da Prata, como se pode ver pelo fac-simile do documento original que apresentamos ao lado
direito.
   O facto de se conservarem os registos dos ourives e ensaiadores, com o desenho das suas marcas,
seria motivo para, só por si, despertar o interesse de museus e colecionadores para as obras de
ourivesaria brasileira, tanto mais que é sabido que toda a documentação referente a Lisboa, anterior ao
terramoto de 1755, foi irremediavelmente perdida nesse terrível acontecimento. E nas igrejas e conventos
espalhados por todo o território brasileiro há um sem número de ricos artefactos que não estão nem
devidamente inventariados nem estudados, mesmo aqueles que integram o espólio de museus. Aqui
reside uma quota parte das culpas no próprio Brasil - ainda agora, aquando da realização do IV
Congresso da Prata na Iberoamérica, não esteve presente neste importante evento nenhum investigador
brasileiro, como não tinha estado nos três congressos que o precederam. A ideia, levantada por Gonçalo
de Vasconcelos e Sousa, para que um dos próximos Congressos se realize no Brasil, poderá ser o início
de uma inversão nesse marasmo a que está devotada a ourivesaria brasileira do período colonial. Claro
que será necessária alguma coragem para certas correções que são urgentes, como classificar
definitivamente como sendo de origem brasileira o conjunto de Lavanda e Gomil da coleção Barros e Sá,
hoje no Museu Nacional de Arte Antiga, o qual possui marcas falsas do Porto e de um tal ourives
Sebastião José de Sousa Pinto que foi ourives do ouro e nunca fez peça alguma em prata...! Uma das
muitas habilidades do Sr. Mesquita, que por pouco não alterou a História da Ourivesaria Portuguesa,
apesar de no site do Instituto dos Museus e da Conservação - MatrizPix - ainda constar tal obra como
sendo do dito Sebastião José de Sousa Pinto. Pelo menos na "conservação" da asneira são eficazes!
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um bom debate. A da esquerda está atribuida a Portugal, com "caracter dos séc. XVII - XVIII". A mim parece-me trabalho colonial espanhol, mas posso
estar enganado, até porque a salva do centro, ao contrário do que possa parecer, foi feita em Braga nos finais do séc. XIX, pelo menos tem a marca
javali de Braga que foi extinta em 1911 e a marca do ourives Carlos José Martins, de que não tenho acente ter visto outra peça. A terceira, da direita,
não apresenta marcas mas a sua execução foi remetida para a oficina da salva anterior. Mas caso não estivessem as duas juntas alguèm iria atribuir
esta salva a Braga, cerca de 1900? Como vêm, só por isto já valeria a pena ir até Cascais, mas haverá certamente muito mais mistérios para tentar
esclarecer, já que as artes decorativas não são uma ciência exacta, e as ciências exactas, felizmente, não são assim tão exactas... ou a ciência parava!

Henrique Correia Braga