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OURIVESARIA PORTUGUESA
   
Aqui está, enfim, o número 2 da Revista Ourivesaria Portuguesa.
  
  Com três meses de atraso em relação ao que, demasiado optimisticamente, tinhamos programado, finalmente está pronto o
segundo número da revista. A pesquisa sobre a firma Veyrat revelou-se muito mais difícil do que tinhamos previsto, e
aguardamos a publicação que Teresa Maranhas está a ultimar, pois certamente irá acrescentar elementos que não descobrimos.
Quanto à baixela de Henrique Teixeira de Sampaio, alguns dados que eram fundamentais para terminar o artigo a ela dedicado,
só há uma semana foram publicados.
      Quanto às Joias de Goa e da Carreira da Índia, os textos de Hugo Miguel Crespo, que compõem o catálogo da exposição das
Joias da Carreira da Índia, são demasiado importantes e polémicos para não serem abordados. Estranhamos o silêncio que tem
pairado sobre as teses apresentadas, que questionam praticamente tudo o que tem sido dito e escrito sobre a ourivesaria dita
Indo-Portuguesa.
      Reconhecemos que da nossa parte ainda é muito cedo para dizer com o que concordamos ou não, visto que em todo o texto
de Hugo Crespo existe uma enorme densidade de referências bibliográficas, alusão a peças e detalhes técnicos dos quais
necessitamos de imagens e cuidadosa leitura das obras citadas. Só para a problemática das filigranas pensamos que serão
precisas largas centenas de fotografias, com boa resolução para analisar os detalhes, organizando-as de acordo com os dados
avançados por Hugo Crespo. Aproveitámos para fazer uma experiência digital com algumas das fotos por ele apresentadas no
mencionado catálogo, tiradas com recurso a microscópio eléctrónico de varrimento a partir de amostras colhidas em silicone,
admitindo desde já que o fizémos sem autorização ou sequer conhecimento do autor, pelo presuposto que o interesse publico
se sobreleva a todos os outros, principalmente no âmbito de uma discussão que só faz sentido ser pública, já que somos tão
poucos a gostar destas matérias, então que não confinemos ainda mais a discussão.
      São desafios desta natureza que fazem falta para o aprofundamento e enriquecimento das artes decorativas. Para a
persecução desse objectivo as nossas páginas estão sempre abertas, sem limite de espaço para textos e imagens.
        

  Para qualquer esclarecimento podem contactar-nos para o email:    
henrique.sofia@ourivesariaportuguesa.info
       O tema das joias goesas, espoletado pela revelação parcial desse tesouro que durante mais de 50 anos esteve longe do olhar do público, é e será um temas inesgotável, agora já alicerçado
num conjunto de joias que proporcionam novos e enriqueccedores dados até agora praticamente desconhecidos. Para quem não viu a exposição, nem possui o catálogo da mesma, nesta revista
damos conta de algumas particularidades, apresentando em baixo um video por nós convertido em alta resolução, que melhor vos pode elucidar sobre tudo o que rodeou a história das joias de
Goa, trazidas em 1961 para Portugal.
      Infelizmente a exposição realizada no Museu Nacional de Arte Antiga tinha uma iluminação muito fraca, que é comum a quase todas as exposições, mas os nossos técnicos ainda tomam os
fotões como perigosíssimas partículas que tudo destroem, quando estudos recentes mostram o infundado que isso é, e como não é possível utilizar flashes para fotografar, as nossas fotos ficaram
muito abaixo do que consideramos uma qualidade mínima. Se não conseguirmos outras, pirateadas ou não, vamos mesmo ter que nos servir delas, o catálogo ainda está à venda e isso para nós é
impeditivo de que usemos as fotos lá contidas, quanto aos catálogos esgotados, consideramos pura e simplesmente criminoso que não sejam disponibilizados por meio digital, e para esses não
temos contemplações, é uma questão de principio, a cultura é para todos e nunca até hoje um catálogo de uma exposição foi motivo de reedição, pelo que o argumento dos direitos autorais é
ridículo e lesador do interesse público.
      Estas duas exposições, a dos Esplendores do Oriente e a das Joias da Carreira da Ìndia, demonstram bem o papel de Portugal no Mundo, sendo que a política cultural dos nossos museus,
fechados nas suas paredes e que obrigam a que quem queira conhecer as suas coleções tenha que lá deslocar-se, é totalmente desconforme a geografia da cultura portuguesa, espalhada pelos
quatro cantos do Mundo. É pensando em todos aqueles que estão longe, e não têm os meios financeiros para virem às vernissages das nossas elites, que este projecto foi feito, em consonância
com o século XXI e não com o XIX a que muitos ainda estão mentalmente aprisionados.
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