No dia 24 de Maio de 2013 a Polícia Judiciária convoca a imprensa para prestar esclarecimentos e mostrar as mais de 300 pinturas apreendidas no
âmbito da Operação "Arco-Íris". Esta apresensão foi apresentada como a maior de sempre, visto estar concentrada em somente dois pintores.
Kandinsky, Picasso, Modigliani, Miró, Chagall, Matisse, Monet... Isto numa vivenda em Birre, Cascais, sendo que muitas das obras possuiam
"certificados de garantia" igualmente falsos. Do Pintor Joaquim Rodrigo, falecido em 1997, estão apreendidos pela PJ mais de 80 obras, No caso agora
apresentado os certificados de autenticidade foram descritos como "materialmente verdadeiros mas intelectualmente falsos" - ou seja, quem os passou
estava apto a fazê-lo, só que tinha perfeita consciência que os mesmos eram falsificações.
    Este tipo de apreensões não são, feliz ou infelizmente, casos raros. Raro, raríssimo ou mesmo nunca acontecido é a condenação em tribunal de
uma rede de falsários como as atrás mencionadas. Bem pelo contrário, geralmente o processo acaba em absolvição, por falta de provas, e os peritos
que ousaram, em consciência e no uso do seu dever profissional, alegar essa coisa redundante que as "falsificações eram falsas", vêm-se ameaçados
por parte dos falsificadores de processos por difamação! É por isso que, mais uma vez, todos os jornais, rádios e televisões falam em pinturas falsas,
mas no comunicado da Polícia Judiciária está escrito
"presumivelmente falsos", depois chamam os peritos e estes é que são obrigados, por lei e sobre
juramento, a fazer a respectiva peritagem e avaliação, com meios praticamente inexistentes nas instalações onde se encontram apreendidos e de onde
não podem sair...e esperar pelas consequência!
Capa do Catálogo do Leilão
138 da Cabral Moncada.

A falsificação foi detetada antes
da realização do Leilão. Tinha
sido consignado por um dos
mais reputados penhoristas de
Lisboa, o qual tinha sido
ludibriado pelo cliente, tendo
agido de boa fé e prestado
todos os esclarecimentos que
se tornariam muito úteis no
processo que já estava sob
investigação.

Precisamente por ter sido capa
de catálogo, esta falsificação
nunca passaria despercebida.
O seu valor de estimativa era de
€ 30.000 - € 45.000
    No decorrer da preparação da Exposição Fabergé Revealed, o Curador Géza von Habsburg, um dos maiores especialistas
mundiais em Fabergé,  contabilizou que em cada 10 fabergés propostos para integrarem a exposição, 9 eram falsos. Basta
este pequeno dado para permitir que é impossível comparar o nosso sistema juridico com o norte americano. Cá, quem se
atrevesse a dizer ou pensar sequer tal coisa, teria processos em tribunal até ao final dos seus dias. E então acusar, com
escassas provas mas muita inteligência, um proeminente e já falecido multimilionário como Armand Hammer de que teria
utilizado punções originais da Casa Fabergé, alegadamente oferecidos pelo regime comunista soviético aquando de todas as
compras e negócios que efectuou com Lenine e Estaline, para marcar peças produzidas por terceiros, ai de que o senhor já
faleceu, coitadinho, não se pode defender e vai daí um advogado ganancioso (!?) convence um descendente a colocar uma
ação por difamação.
    Este cenário não é de ficção por estarmos em Portugal, ainda agora está numa leiloeira lisboeta um Kovsh em prata que faz
parte de uma longa família de falsificações, sendo o segundo que nos passa pelas mãos em Portugal, o anterior possuia as
Armas Imperias de Nicolau II, em simultâneo com a marca de punção de Ovchinnikov. Um outro semelhante está agora à venda
por $28.000 na
ebay.
    Um dos maiores desafios para os peritos em Portugal, ultra-periférico no que concerne a peças estrangeiras com procura
internacional, é, por via da projecção que a internet tem dado às nossas leiloeiras, as mesmas virem a ser alvo de redes de
falsários, reis e senhores numa área muito específica em que a ignorância é regra. E não é com os Avaliadores Oficiais que
estão a ser industrialmente produzidos na Casa da Moeda que a situação se altera, bem pelo contrário. Mas nesta matéria de
falsificações voltaremos com dados mais concretos e "picantes". Por agora regressemos a Portugal e vejam um par de
castiçais que foi capa de catálogo há uns anos em Lisboa.
icebergues que se vão soltando e multiplicando. Nos cursos para Avaliadores as marcas
falsas nem sequer são abordadas, o diploma é entregue a pessoas que nunca viram
nenhuma, e depois serão elas a fazer parte da tal aritmética na sala dos tribunais.

    Abaixo fica o texto auto-censurado da Sofia Ruival sobre as falsificações. Se um dia,
para além de vivermos num Estado de Direito Democrático passarmos a ter liberdade de
expressão, colocaremos o texto na íntegra. Dizem que a esperança é a última a morrer, a
nós só resta a pergunta
Porque Votais Senhores...!!!
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