IV Congresso A Prata na Iberoamérica
ALQUIMIA
Quando os nossos olhos se
deixam iludir, a idade dos
objectos sofre uma transmutação
que pode alterar a própria História!
FORGERIES
Pequenos contributos para a história das
falsificações em Arte, um tema sempre actual e
em evolução...
A Encomenda Prodigiosa. Da Patriarcal à
Capela Real de São João Batista
A esplendorosa Basílica Patriarcal de Lisboa era celebrada por toda a
Europa. Cenário único, onde se levava a efeito uma surpreendente
emulação da corte pontifícia, entendida como elemento de prestígio da
própria corte portuguesa, tornou-se numa das mais dramáticas perdas geradas
pelo Terramoto de 1755. Possuía uma extensão, felizmente poupada pelo
sismo: a Capela de São João Batista, também encomendada por D. João V
com o respetivo tesouro e edificada na Igreja de São Roque.

Evocar essa encomenda e o caminho que conduz da Patriarcal à Capela
Real de São João Batista, exumando fontes e vestígios que o tempo parece
ter querido apagar, é o objetivo desta exposição, dividida entre o
MNAA-Museu Nacional de Arte Antiga e a Igreja e Museu de São Roque.
O Caso das Molduras
No ano de 2008 Portugal perdia, para
sempre e por uns míseros €42.000,um
fabuloso par de molduras em prata
dourada, com pinturas sobre marfim,
encomendadas por D. João V para a
Capela de São Roque.
Estavam desaparecidas desde c. de
1800 e tinham sido descobertas por
nós. Acabariam vendidas em Londres
por €432.000. Leia a história clicando na
figura à direita...
EXPOSIÇÃO EM LISBOA
O Contraciclo do Ouro
  Se ao longo de todo o séc. XVIII Portugal viveu o chamado Ciclo do Ouro do Brasil, com o eclodir da crise financeira internacional em 2008 Portugal inicia um novo ciclo do ouro, desta vez num movimento de dentro para fora. No
auge da produção aurífera do Brasil na década de 1730 chegaram-se a atingir as 11 toneladas anuais, no ano de 2012 o ouro que os portugueses venderam para o estrangeiro chegou às 15 toneladas ( as reservas do Banco de
Portugal estão inalteradas neste período, mantendo-se nas 382 toneladas).
Se no séc. XVIII a produção do Brasil equivalia a 50% da produção mundial, hoje o ouro que os portugueses se vêm obrigados a vender, sendo superior ao pico da produção brasileira, corresponde somente a 1% do ouro reciclado à
escala mundial e a menos de 0,4 % do total da oferta, o que mostra bem a fantástica subida que houve na extração de ouro, sendo que nos nossos dias se extrai mais ouro em 6 anos do que a humanidade o fez nos últimos 6.000
anos até 1850...!
Analisando agora o lado do consumo interno de ouro, os dados são deprimentes: no auge do consumo de ouro em Portugal, em 1999, a Casa da Moeda marcou 33 toneladas de artefactos, em 2012 esse número quedou-se por
1,8 toneladas... colocando o total da nossa ourivesaria ao nível de uma boa loja no Dubai Deira Gold Souk!   
Toneladas ano 1998_2012
  Ao ver o gráfico ao lado, imediatamente se constata a queda abissal ocorrida no sector da ourivesaria, particularmente no ouro. Num
país que já tinha tido, no séc. XX, o maior consumo
per capita de artefactos de ouro a nível mundial, nesta entrada no séc. XXI é como
se todo o edíficio da nossa ourivesaria se desmoronasse andar a andar, quedando-nos neste ano de 2013 ao nível do rés-do-chão e já
a caminho da cave...!

  Para piorar o cenário ao lado evidenciado, convém não esquecer que, apesar da liberalização dos toques de ouro em 1985, o
mercado permaneceu fiel ao dito "ouro português" de 800ml, e só nos anos recentes, por via do brutal aumento das cotações, se
começou a importar ouro nos toques de 750, 585 e 375ml, sendo que hoje um significativo número de importadores e fabricantes está
quase exclusivamente a produzir e comercializar ouro de 9kt, ou seja, com 37,5 % de ouro fino. Como o quadro ao lado indica o total
levado a marcar, independentemente do toque, se convertessemos cada coluna em ouro puro a queda ainda seria mais acentuada.

  Para o (que resta) do sector da ourivesaria, seria bom que a Casa da Moeda desse os dados por toques de ouro, até para os agentes
económicos terem uma percepção das tendências de consumo e evitar erros passados, como o prolongar até à última o mito do
"melhor ouro do mundo".


                                                                                                                                                                                                            continua...
OURIVESARIA PORTUGUESA